Mestres

Mestre Julio Santos

“A beleza ela é efêmera, é vulgar. Mas o encantamento não, ele é eterno, nunca envelhece. (...)
Os nossos heróis não morrem, eles não envelhecem. A fotopintura é a mesma coisa. Você sempre vai ter um ente querido seu para fazer; você nunca manda fazer, ou raramente, sua mesma... Aí você faz de um filho, que mais tarde vai lembrar com saudade do que ele era. Você manda fazer dos seus pais, porque mais tarde os seus filhos vão mandar fazer de você. É uma sequência de encantamentos.”

Julio Santos, mestre da fotopintura. Fortaleza, - CE.
23 de janeiro de 2015

Mestre Julio Santos

“A família da gente não é grande não, é meia comprida. A banda é em família, já vem de pai pra filho, aí o meu pai faleceu com 104 anos e deixou seis filhos na banda, tudo músico dessa banda nossa, uma banda regional, uma banda de pife.”

“Quando eu era menino,
eu era capaz de voar”.

Raimundo, mestre da Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto. Crato - CE.
26 de janeiro de 2015

Mestre Espedito Seleiro

“O bom mesmo é você inventar, pode ser a coisa mais feia do mundo. Eu faço uma tinta véia feia, e o cabra não sabe se é amarela se é azul se é preto ou se é marrom. Só que quando eu faço a peça você corre atrás e ninguém tem aquela tinta véia... É feia mas findo sendo bonita né?!”
Espedito Seleiro, mestre do couro. Nova Olinda - CE.
26 de janeiro de 2015


Mestra Dinha

“Só ficou eu da família fazendo esse serviço. Eu digo, eu não vou ficar sem fazer nada, vou me entreter nisso aí né?! Aqui é um divertimento”.
Dinha, mestra do tear. Nova Olinda - CE.
27 de janeiro de 2015

Mestre Gilberto

“Ai ele me disse: E qual a felicidade do homem?
Eu digo: a felicidade do homem é a coisa mais simples do mundo, é ele amanhecer o dia, acordar, ver a mulher e os filhos, abrir a janela e ver o sol.

Pô, só isso? Só.

Porque haverá um dia que outra pessoa abrirá sua janela. Aí você morreu. Isso não é ser feliz?

A felicidade é o cotidiano, é o dia a dia, é a locomoção, é quando você vai fazer o que gosta, e não o que o povo quer que você faça... Isso não é ser feliz.”

Gilberto, mestre escultor. Juazeiro do Norte - CE.
28 de janeiro de 2015

Mestre Françoli

“Eu trabalhava na roça e passava meia hora sentado vendo os pássaros voando, e meu pai dizia 'meu filho, vamo trabalha', e eu olhando vendo o que os pássaros faziam, o jeito que eles faziam voando.

Observando a natureza eu sentia o maior estímulo:
O rio corre deitado,
a vista tempera o clima
e a terra dissolve o limo que a nuvem derrama em cima”.

Mestre Françoli, o inventor do sertão. Potengi - CE.
30 de janeiro de 2015


Mestra Antonio Luiz

“O mestre não tem filho não mas tem os que ele cria né, que só vive por aqui um monte, que vem pra toma café, come uma tapioca, um negócio aí. Os filhos dele é os brincante né, do reisado”.
Jefferson Bob sobre o mestre Antonio Luiz, do Reisado de Caretas. Potengi - CE.
30 de janeiro de 2015

Mestre Chico Paes

Casa Amarela (audio)
Mestre Chico Paes, oito baixos. Assaré - CE.
30 de janeiro de 2015

Mestre Osana

“Deixa eu cantar a da cestinha, que ela gostou a da cestinha. É umas meninas, sabe, que a gente apronta elas com a capelinha na cabeça, a fitinha, o vestidinho branco arrumadinho comprido assim, ela toda trajadinha, aí ela canta, é com a cestinha que ela canta:

Eu perdi minha cestinha
não sei aonde eu deixei
se foi no pé da rosa
ou se foi no pé do jasmin,
não sei, não sei.”
Lapinha da Cestinha

Mestra Osana, flores artificiais. Juazeiro do Norte - CE.
31 de janeiro de 2015


Mestra Cizin

“O que eu gosto mesmo é aquele rosto de humildade e sofrimento pra caramba, que nem esses mendigos que a gente vê muito nas estradas”.
Cizin, mestre escultor. Aurora - CE.
02 de fevereiro de 2015

Mestre Gil Chagas

“(...) um mundo de paz, alegria e harmonia, esse é o mundo que a maior parte dos luthiers dezejam para os nossos jovens”.
Mestre Gil Chagas, luthier. Aurora - CE.
02 de fevereiro de 2015

Mestre Antonio Pinto

“Meu pai trabalhava de carpinteiro e de marceneiro, aí eu tirei uma faca véia, um cerrote - um cerrote véio que ele trabalhava -, eu era pequeno, aí arrumei um pedaço de pau naqueles pé de algodão, por trás de casa. Daí cheguei lá e fiz uma rabeca. Fiz e ficou boa. Botei as corda e comecei a toca.”
Mestre Antonio Pinto da rabeca, luthier. Aurora - CE.
02 de fevereiro

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2016 Contato

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Manifesto

Casa do Mestre Antonio do Reisado de Caretas. Potengi - CE, 2015.

Sempre me chamou a atenção aqueles retratos pintados super-realistas, destacados nas paredes coloridas das casas populares do nordeste.

Foi no final do ano passado, quando comecei a me aprofundar na história da fotopintura, que me encantei com o trabalho do mestre Julio Santos e, mais ainda, com a possibilidade que a fotopintura oferece de interferir de forma solidária e democrática no realismo da fotografia, de retocar marcas do passado e atribuir dignidade às pessoas ali retratadas.

Quando entendi a fotopintura como um artifício para homenagear aqueles ali resgatados, é como se tivesse entendido um pouco mais sobre o meu próprio trabalho: para mim, a estamparia é o meio que encontrei de homenagear aquilo que me encanta. E com o fato de a fotopintura estar se extinguindo, assim como muitos outros ofícios da nossa cultura, senti uma vontade quase que necessária de homenagear estes grandes mestres que ainda mantém viva uma arte do passado, passada de pai pra filho, de mestre para aprendiz.

Saí de São Paulo no dia 22 de janeiro desse ano com destino ao Ceará, terra dos mestres Julio Santos, Espedito Seleiro, Noza, Luis Gonzaga, mestres da Banda Cabaçal dos irmãos Aniceto, meu mestre inspirador Aldemir Martins e de tantos outros grandes mestres que fui conhecer ao logo da pesquisa e da viagem. O Ceará é hoje um dos cinco estados brasileiros que possuem políticas locais de reconhecimento e valorização de mestres: Tesouros Humanos Vivos.

A primeira parada foi em Fortaleza, em um único endereço: Áureo Studio, Rua Gonçalves Ledo, 1779. Fui totalmente na sorte, afinal não tinha conseguido sequer um número de contato do mestre Julio Santos e, em nenhum momento, tive a certeza de que o estúdio continuava no mesmo endereço, ou até mesmo funcionando.

Portas fechadas, rua vazia, silêncio, nenhuma campainha. Perguntei na vizinhança sobre o mestre Julio Santos, ninguém sabia me informar. Áureo Studio? Menos ainda. Fotopintura? sei não.

Sabia desde o começo que corria este risco, mas não quis acreditar no azar. Confirmamos a numeração, fui até a porta fechada do número 1779, olhei pela fresta... Pronto! Enxerguei uma câmera fotográfica num tripé e logo percebi que alguém estava sendo entrevistado: sim, era o mestre Julio que com um largo sorriso nos convidou a entrar.

“(...) é você dessecar, é você passar por dentro, é você conhecer toda a estrutura dela, é você largar o corpo e você conhecer a alma, o espírito da fotopintura. É isso que representa alguma coisa para mim.”
- Mestre Julio Santos

É tão bonito ouvir alguém falar do seu próprio trabalho com tanta convicção, maestria e beleza. Falar de fotopintura com o mestre é falar da vida, da morte, do renascimento, de encantamento, dos sonhos das pessoas, da falta de dignidade, da dignidade atribuída, de entes queridos, do socialismo, da democracia, dos direitos, da liberdade.

Falar de fotopintura é falar do que é essencial.

“Nós somos iguais, então temos que ter os mesmos direitos. Nós temos que fazer é com que os nossos direitos sejam iguais, e que a gente possa lutar pelos mesmos direitos. E a fotopintura é tudo isso... Eu tento fazer com que ela seja assim”.
- Mestre Julio Santos

A conversa com o mestre foi uma introdução ao próximo destino - o Cariri cearense - e, no primeiro dia de viagem e sem perceber, já tinha entendido que, além de dominar muito bem um ofício e difundi-lo com excelência, ser mestre é captar, sustentar e valorizar a simplicidade da vida e respeitar o curso da natureza.

A Coleção Renovação é uma homenagem à todos os mestres da nossa cultura, e com ela pretendo ressaltar a importância da existência destes processos pertencentes a um tempo que está por se extinguir.

Clarisse Romeiro

Sobre

 

“Os padrões invadiram todos os suportes de que o homem dispunha para recordar quem éramos, nossa origem, mítica ou grupal, e nossa função no mundo.”
Líbero Malavoglia

Profundamente ligada a cultura brasileira, Veredas é o resultado de um trabalho constante de pesquisa e criação da designer Clarisse Romeiro, onde cada coleção é inspirada em um tema específico.

Tendo como foco a estamparia, nossos produtos se tornam portas para uma compreensão maior de cada tema, possibilitando aquele que os utiliza a conectar-se com outro lugar e outro tempo.

Sejam bem-vindos ao Veredas Atelier.

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